sexta-feira, 3 de junho de 2011

Chantagem


Estou a ser chantageado. Não é nada que desse para o Hitchcock escrever um filme: um membro do meu júri de tese está a ver se me obriga a ir a uma conferência. O pior é que já é tarde demais para que ele apareça a boiar no sena, pois já não tenho tempo de escolher um substituto! (E o gajo é gordíssimo - duvido que boiasse!)

Confesso que reajo super mal a coerção.
Por exemplo:
Certo dia uma amiga da minha orientadora telefona-me a pedir para fazer uma visita guiada do meu laboratório a uma miúda. Nunca tínhamos falado antes e a fulana telefona-me no próprio dia em que queria que eu fizesse de guia. Por azar, era o último dia antes das férias e tinha de fazer imensas coisas. Honestamente, eu não podia.

Começa então a dizer que tinha ajudado a minha orientadora com correcções de inglês para os artigos dela, sabendo que eu era um dos autores e escreveria em breve um artigo também (ela é de origem  inglesa e já tinha dado aulas de inglês no meu instituto).
Fiz como se não tivesse percebido.
Volta à carga e diz-me descaradamente que "se a ajudam, ela ajuda em troca" (uma mão lava a outra, como na máfia, estão a ver?).

Ela leva a mal quando lhe chamo "professora de inglês" e diz-me que fazia parte do departamento de relações internacionais do instituto e que era a pessoa que ajudava nas comunicações (como artigos e apresentações)... blá, blá, blá (eu já não estava a ouvir).
Estava sinceramente sem tempo para aquela conversa e menos ainda para lhe servir de guia e respondo-lhe: "Ah, eu pensava que estava a ajudar a minha orientadora por amizade, mas afinal estava a fazer o seu trabalho, pois é paga para ajudar nas correcções de inglês".
Eu não fiz visita nenhuma e a gaja nunca me disse "bom dia" quando nos cruzámos na sala de café.

Em retrospectiva, apesar de me ter sabido bem dizer o que disse a quem o disse e de não precisar dos serviços de correcção dela, há melhores maneiras de dizer "Não".

3 comentários:

Alien David Sousa disse...

As pessoas são assim mesmo, piores que as crianças, quando não obtém o que desejam amuam. Vejo muito disso aqui pelas minhas partes.
beijinhos

carpe vitam! disse...

eu acho que o acho era capaz de boiar porque a gordura vem sempre ao de cima na água... ;)

Marco Fav disse...

Sim, eu tinha pensado nisso, mas não quis ser todo betinho a explicar como funciona a imersão...